quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Soneto de Fidelidade




De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Morais

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ontem assisti a uma palestra na Comunhão Espírita falando sobre queixas. Como é desagradável conviver com quem só reclama. O indivíduo queixoso retarda em muito o seu adiantamento moral, pois em vez de se esforçar para se melhorar interiormente, preocupa-se unicamente em reclamar, reclamar, reclamar. Foi muito bom tudo o que ali ouvi, pois serviu como um puxão de orelha para que modifique minhas atitudes. Muitas vezes nos queixamos das coisas automaticamente e desnecessariamente; tal atitude se torna um vício. Devemos em vez de reclamar, agradecer; agradecer a Deus pela vida, pela família, pelo trabalho, pelo lar, pelo alimento, pela oportunidade de estudo, por termos saúde, um corpo perfeito, podermos enxergar, ouvir, falar...; devemos agradecer a Deus por tudo. E vigiarmos nossas atitudes, nossos pensamentos, com o intuito de direcioná-lo para o bem e o amor ao próximo.



"A queixa é um vício imperceptível que distrai pessoas bem intencionadas da execução do dever Justo."

Emmanuel

Falando ao oceano...





Algumas folhas de papel, caídas sobre a areia de uma praia pouco visitada, traziam as seguintes linhas: 

"Quando abraço o oceano com o olhar, volto a questionar milhões de coisas, tantas quanto as ondas que ganham a areia.
Volto a questionar: Como alguém pode sentir-se só na presença do mar? Na presença desta brisa incessante? Na companhia deste perfume raro?!
Como ainda posso me sentir só, sabendo que os braços do Invisível me abraçam, que aqueles que partiram continuam existindo, e que todos nós, sem exceção, somos amados por alguém!? Como ainda posso me sentir só?
Talvez seja porque eu me isole do Mundo, e seja exigente demais com as pessoas. Pode ser isso.
Talvez seja porque eu não permita que os outros conheçam minha vida, meus sonhos, minhas dificuldades - acho que há um pouco de orgulho nisso.
Quem sabe seja porque eu procure a solidão, e não ela que me persiga, como eu imaginava.
É... talvez eu precise conversar mais com as pessoas, me interessar mais por suas vidas, ouvir.
Há tempos que não ouço alguém; um desconhecido relatando os acontecimentos corriqueiros do dia-a-dia; um colega de trabalho falando das peripécias de seus filhos.
Meus irmãos: há tempos não converso com eles sobre assuntos profundos, como planos para o futuro, lembranças boas do passado.
É curioso, pois lembro-me de que há algumas semanas ouvi uma mensagem de cinco minutos, num programa de rádio, que falava sobre isso, sobre como as pessoas se isolam umas das outras, e do quanto isto é prejudicial para a saúde mental e física, já que uma é conseqüência da outra.
O locutor dizia que ‘Quem ama não se sente só', pois está sempre se doando, se envolvendo com os corações mais próximos, na intenção de ajudar.
Dizia ainda que, quando nos sentimos úteis, e concluímos que muitos dependem de nossa dedicação, de nosso amor, também esquecemos da solidão.
Acredito que ele tenha razão, pois lembro que naquele dia fui visitar uns tios que não via há muito tempo, e aquela visita fez-me tão bem!
Falamos de assuntos comuns, como notícias de televisão, notícias da família, mas ao final saí de lá menos tenso, menos preocupado com a solidão.
Abracei minha tia, e a ouvi dizer, por entre lágrimas discretas: ‘Gostamos muito de você, viu? Venha mais vezes! Não é sempre que recebemos visitas!'
Ela está certa. Não é sempre que recebemos visitas, pois não é sempre que visitamos os outros, creio eu.
Naquela tarde, vi que poderia ser útil em pequenas coisas, e que aquilo me afastava um pouco da solidão.
Dentro do carro, voltando para casa, observando o movimento intenso nas ruas,  lembro de fazer estas mesmas perguntas: Como pode alguém sentir-se só na presença de tanta gente, de tanta vida!?
Quantos desses corações esperam apenas por uma visita? E quantos deles estão dispostos a fazer uma?
E aqui está você, amigo oceano, à minha frente, ouvindo todas estas minhas divagações. Acho que foi sua presença, rei das águas, que me ajudou a entender melhor o que se passa em meu íntimo.
Agradeço profundamente por sua companhia, por conseguir me ouvir, e por me dizer, mesmo sem falar, que o que preciso fazer é visitar mais o coração de meu próximo.
Muito obrigado." 

Redação do Momento Espírita, baseado
 em narrativa de autor desconhecido.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Os brasilienses são felizes

Os brasilienses estão rindo à toa. Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Economia da Universidade Católica de Brasília (UCB) mostra que 85% dos moradores do Distrito Federal se consideram felizes. O nível elevado de felicidade revela que a maioria das pessoas está satisfeita com a vida que leva. A opinião é compartilhada por quem é solteiro ou casado, com filhos ou não, religiosos ou ateus, jovens ou velhos. O que parece óbvio é a mais pura verdade: fazer o que se gosta ou estar próximo de coisas que se valoriza é o melhor caminho para viver com o sorriso no rosto. Para a maior parte dos entrevistados, a felicidade está associada à realização pessoal (38%) e à realização familiar (33%).

O levantamento (1)faz parte da tese de doutorado Felicidade, casamento e choques positivos de renda, de Alexandre Damasceno. O orientador e autor da pesquisa, o professor de economia Adolfo Sachsida, explica que a finalidade era mostrar quanto os brasilienses estão satisfeitos com a vida que levam e quais variáveis estão associadas a isso. “Não temos como medir a felicidade das pessoas. A pesquisa é quantitativa e não qualitativa. É uma estatística de média que revela indícios da percepção das pessoas”, afirma ele.


A preocupação com o próprio bem-estar e a liberdade é característica presente nas pessoas felizes. Segundo a pesquisa, os solteiros (86,3%) estão um pouco mais satisfeitos com a vida que levam do que os casados (84,5%). Quem está numa relação consolidada é um ponto percentual mais infeliz em relação àqueles que estão livres. A bancária Arlene Ramos do Nascimento, 47 anos, não para de sorrir. Se diz feliz pelo impressionante fato de não conhecer o que é a infelicidade. “Tem que fazer coisas que trazem bem-estar. Não há segredo. Nas pequenas coisas, podemos tirar muito. Passear, sair com os amigos e estudar. Isso me faz bem”, dá a dica. Além de ser solteira por opção, “porque não se vê amarrada a ninguém”, ela não teve filhos também porque não quis, está acima dos 45 anos e é mulher — três variáveis apontadas pela pesquisa associadas às pessoas mais satisfeitas.

Para Sachsida, a explicação é pontual. “Os filhos trazem felicidade mas muita preocupação. As pessoas mais velhas se aceitam mais do que as jovens. E os homens sofrem uma cobrança social para se mostrarem sempre fortes, mas quando observamos os níveis de felicidade, vemos que eles estão um pouco abaixo das mulheres”, avalia. O levantamento mostra que os homens estão mais insatisfeitos do que as mulheres no DF. Enquanto 4,4% dos entrevistados do sexo feminino se consideram muito infelizes ou infelizes, esse número sobe para 7,7% entre o sexo masculino.

Na opinião do psiquiatra clínico Rafael Boechat, admitir que se é infeliz é uma atitude difícil de se tomar e, portanto, pode ser maquiada por mecanismos de defesas. “É mais comum os solteiros negarem solidão ou tristeza porque podem não ter alguém para compartilhar isso. Os estudos mais antigos mostram o casamento como uma proteção social. Acho que é muito difícil mensurar a felicidade. É muito subjetivo”, analisa. A psicóloga Ana Lúcia Sueñé Palma diz que as mulheres procuram mais o consultório do que os homens. “Talvez seja por isso que elas aparecem mais felizes do que eles. As mulheres tentam se tratar quando veem os sinais da depressão”, aponta.

Sexo

A alta rotatividade sexual não é um chamariz para a felicidade na concepção da maioria dos brasilienses. De acordo com a pesquisa, o satisfatório é ter dois parceiros sexuais durante um período de um ano (87,4%). Na cama das pessoas mais infelizes e infelizes (11,2%), passam seis ou mais parceiros por ano. O analista de comunicação Daniel Jordão, 28, é mais feliz quando está namorando. “Gosto de ter alguém comigo. Uma boa companhia é melhor do que ir para a balada e ficar na caçada. Isso cansa. Ter alguém que te dá carinho e estabilidade sexual faz toda da diferença”, defende. A psicóloga Ana Lúcia confirma a tese dentro de seu consultório. “A pessoa que tem seis ou mais parceiros não tem ninguém. Não se vincula a nada. Quando se é jovem tem uma questão da experimentação, mas depois dos 35, 40 anos, as pessoas querem vínculo sexual e afetivo”, diz.


1 - Questionário
De agosto a outubro deste ano, 10 pesquisadores da Universidade Católica entrevistaram 1.521 pessoas em todo o Distrito Federal para verificar o nível de felicidade (classificados como muito infeliz, infeliz, pouco feliz, feliz e muito feliz) e a relação desse sentimento com variáveis como gênero, religiosidade, classe social, estado civil, sexualidade, entre outros. Elas responderam um questionário padrão de economia, sem perguntas abertas. A amostra é composta por 46,6% de homens, 40% casados, 47,1% de pessoas com filhos e, na média, com 30 anos e meio de idade.


RELIGIÃO
A pesquisa mostra a relação entre religiosidade e felicidade. O estudo indica que pessoas que frequentam igrejas ou cultos religiosos são mais felizes. A maioria dos entrevistados (86,9%) se diz satisfeita em acompanhar missas ou cultos. O nível de felicidade cai quatro pontos percentuais nas pessoas que não frequentam os templos religiosos. A produtora Rubia Boaventura, 27 anos, sente um estado de felicidade desde que se tornou evangélica há cinco anos. “Sou mais feliz porque encontrei um propósito de viver. Pessoas que têm Deus no coração, independentemente da religião, são mais felizes”, acredita. A relação direta com Deus, como ela gosta de dizer que tem, a ajudou a mudar de vida. “Me foquei mais e conquistei o que sempre quis. Hoje, tenho emprego, marido e faço faculdade. Fazer o que gosto ou estar perto disso me dá prazer”, conclui.

Fonte: CorreioWeb  


***



Se não fosse  o elevado custo de vida (não entendo por que tudo tem que ser caro nessa cidade), o trânsito louco e o clima seco, concordaria integralmente com essa pesquisa. Brasília é uma boa cidade, com as devidas ressalvas. Mas continuo com vontade de dar um tempo daqui.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009





Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura realidade. Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança. Eu sou assim, pelo menos assim quero me imaginar: a que explode o ponto e arqueia a linha, e traça o contorno que ela mesma há de romper. Desculpem, mas preciso lhes dizer: Eu quero o delírio."
(Lya Luft)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009




Não morro de amores

por pessoas sem mistério

quando se é muito transparente

muito risonho e educado

é raro ser levado a sério

prefiro os mais silenciosos

os que abrem a boca de menos

os mais serenos e mais perigosos

aqueles que ninguém define

e que sempre analisam os fatos

por um novo enfoque

prefiro os que têm estoque

aos que deixam tudo à mostra na vitrine.

Martha Medeiros

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sobre os apaixonados - Rubem Alves





Dedico esta crônica aos apaixonados, mesmo sabendo que servirá para nada. É inútil falar aos apaixonados. Os apaixonados só ouvem poemas e canções. A paixão, experiência insuperável de prazer e alegria, pelo fato mesmo de ser uma experiência insuperável de prazer e alegria, coloca o apaixonado fora dos limites da razão.

Todo apaixonado é tolo. Pode ser que ele escute a fala da razão. Escuta mas não acredita. Diz: "O meu caso é diferente!" Tolo mesmo é quem tenta argumentar com os apaixonados.

Começo minha inútil meditação com um verso terrível de T. S. Eliot. Ele está rezando. Ele sabe que somente Deus tem poder para lidar com a loucura da paixão. Ele reza assim: "...e livra-me da dor da paixão não satisfeita, e da dor muito maior da paixão satisfeita".

Todo mundo sabe que a paixão não satisfeita dói. Mas poucos sabem que a paixão só existe se não for satisfeita. A paixão é um desejo de posse que, para existir, não pode se realizar. Como a fome: depois do almoço a fome acaba...

Paixão é fome. Ela só floresce na ausência do objeto amado. Mais precisamente, ela vive da ausência do objeto amado. Não se trata de ausência física, o objeto amado distante, longe.

A dor da ausência física tem o nome de saudade. Saudade tem cura. A saudade é curada quando o objeto volta. A dor da paixão é diferente. Não tem cura. A saudade do objeto amado, mesmo quando ele está presente, é o perfume característico da paixão. Cassiano Ricardo sabia disso e escreveu: "Por que tenho saudade de você, no retrato, ainda que o mais recente? E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente?" Que coisa mais esquisita! Como pode ser isso? Como pode se sentir saudade de algo que está presente? A resposta é simples: a gente sente saudade de uma pessoa presente quando ela está se despedindo. Cecília Meireles, desenhando sua avó morta, a quem ela muito amava, disse: "Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se." Dirão: "É natural. A avó já era velhinha..." É verdade. Mas o que caracteriza o olhar apaixonado é que ele percebe, no rosto da pessoa amada, essa ausência que se anuncia e essa despedida pronta a cumprir-se. O apaixonado pensa que sua paixão tem a ver com o objeto. Ele não sabe que foi o seu olhar que o tornou encantado.

Os poetas são pessoas apaixonadas pela vida. E a sua paixão faz com que ela, a vida, apareça sempre banhada por uma luz crepuscular. Rilke perguntava, sem esperanças de resposta: "Quem foi que assim nos fascinou para que tivéssemos um ar de despedida em tudo que fazemos?" É o olhar da pessoa apaixonada que cria a imagem do objeto da paixão. É sobre Cecília Meireles que o Drummond escreve. Mas sua descrição, eu creio, se aplicaria a todos os objetos da paixão: Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços de sua presença entre nós, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos. Distância, exílio e viagem transpareciam no sorriso benevolente... que confirmava a irrealidade do indivíduo. A dor da paixão não satisfeita é essa: o apaixonado deseja possuir o objeto do seu amor, mas ele escapa sempre. Por isso ele sofre. Movido pela dor, quer possuí-lo. Não sabe que, para que sua paixão continue a existir, é preciso que ele continue escapando sempre.

A paixão só ama objetos livres como os pássaros em vôo. "...e da dor muito maior da paixão satisfeita". A dor da paixão não satisfeita é iluminada por uma alegria. O apaixonado vive na presença de que um dia ele possuirá o objeto da sua paixão. Mas a "dor muito maior" da paixão satisfeita não tem mais esperanças. O objeto se desfez. Ela vive na tristeza do objeto perdido.

Escrevi uma estória sobre isso. A Menina era apaixonada pelo Pássaro Encantado. Mas ela sofria porque o Pássaro era livre. O Pássaro Encantado era sempre uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se. O Pássaro lhe disse que era preciso que fosse assim, para que eles continuassem apaixonados. Ele sabia que a paixão ama pássaros em vôo. Mas a Menina não acreditou. Prendeu-o numa gaiola. Gaiola? Há as feitas com ferro e cadeados. Mas as mais sutis são feitas com desejos.

Esquisito o que vou dizer: a alma é uma biblioteca. Nela se encontram as estórias que amamos. Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa, O paciente inglês, As pontes de Madison, Amor nos tempos do cólera, A menina e o pássaro encantado. As estórias que amamos revelam a forma do nosso desejo. Delas, escolhemos uma. É a nossa gaiola. Gaiola na mão, saímos pela vida à procura do nosso Pássaro. Quando imaginamos havê-lo encontrado - que felicidade! Ficará feliz em nossa gaiola. Será o amante da nossa estória de amor: eu para você, você para mim... Nós o colocamos lá dentro e pedimos que nos cante canções de amor. Acontece que o Pássaro também tinha a sua estória. E era outra. Todo Pássaro deseja voar. Ele bate suas asas contra as grades, suas penas perdem as cores e o seu canto se transforma em choro. E, de repente, ele se transforma. Não mais o reconhecemos. É um outro. Essa é a razão por que a dor da paixão satisfeita é muito maior. Contada assim, a estória parece ter um vilão e uma vítima. A verdade é que os dois são vilões, os dois são vítimas. O desejo da gente é sempre engaiolar o outro e levá-lo pelos caminhos que são nossos. Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe-filho, patrão-empregado, professor-aluno... Não admira que Sartre tenha dito que "o inferno é o outro".

Não haverá uma saída. Lembro-me de um pequeno poema de Pearls que sugere a possibilidade de uma relação sem gaiolas:

Eu sou eu. Você é você.

Eu não estou neste mundo para atender às suas expectativas.

E você não está neste mundo para atender às minhas expectativas.

Eu faço a minha coisa.

Você faz a sua.

E quando nos encontramos, é muito bom.


Rubem Alves, O amor que acende a lua, 1999.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tênis x Frescobol - Rubem Alves


De uns tempos para cá, tenho lido muitos textos de Rubem Alves, escritor mineiro nascido na cidade de Boa Esperança, Sul de Minas, e estou completamente apaixonada. Seus textos fazem uma análise profunda da vida, e de uma forma sutil, delicada, poética. Lembra um pouco os textos de outro escritor mineiro, por quem também sou apaixonada, Carlos Drummond de Andrade.

Transcreverei abaixo um trecho de um de seus textos que li e adorei. Fala sobre relacionamentos, e sobre o diálogo. Sempre acreditei que muitos não dão certo, pois falta amizade e diálogo entre as pessoas, sendo que se existe o primeiro, o segundo é consequência. E o texto fala sobre essa importância do diálogo. Espero não fracassar da próxima vez.

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Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:

‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...
(...)
 
Rubem Alves



terça-feira, 17 de novembro de 2009

A vida precisa do vazio




A vida precisa do vazio:

a lagarta dorme num vazio chamado casulo

até se transformar em borboleta.

A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida.

Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito.

E as pessoas, para serem belas e amadas,

precisam ter um vazio dentro delas.

A maioria acha o contrário;

pensa que o bom é ser cheio.

Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria

e falam sem parar.

São umas chatas quando não são autoritárias.

Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar.

A essas pessoas é fácil amar.

Elas estão cheias de vazio.

E é no vazio da distância que vive a saudade…


Rubem Alves

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Belo Horizonte





Belo Horizonte é um município brasileiro, capital do estado de Minas Gerais.

Cercada pela Serra do Curral, que lhe serve de moldura natural e referência histórica, foi planejada e construída para ser a capital política e administrativa do estado mineiro sob influência das idéias do positivismo, num momento de forte apelo da ideologia republicana no país.

De acordo com estimativas de 2009, sua população é de 2.452.617 habitantes, sendo a sexta cidade mais populosa do país. Belo Horizonte já foi indicada pelo Population Crisis Commitee, da ONU, como a metrópole com melhor qualidade de vida na América Latina e a 45ª entre as 100 melhores cidades do mundo.

A cidade tem o quarto maior PIB entre os municípios brasileiros, representando 1,38% do total das riquezas produzidas no país. Uma evidência do desenvolvimento da cidade nos últimos tempos é o ranking da revista América Economía, no qual Belo Horizonte aparece como uma das 10 melhores cidades para fazer negócios da América Latina em 2009, segunda do Brasil e à frente de cidades como Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba.

A Região Metropolitana de Belo Horizonte, formada por 34 municípios, possui uma população estimada em 5.397.438 habitantes, sendo a terceira maior aglomeração populacional brasileira, sétima da América Latina e 62º maior do mundo.

Belo Horizonte é uma das 12 cidades brasileiras que serão sede dos jogos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, e uma das sub-sedes dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016.

Fonte: Wikipedia

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Realmente é um cidade inesquecível. Tirando o trânsito maluco e as pessoas um tanto estressadas. Mas, uma cidade muito bonita.

Sabará - MG




Sabará é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Sua população estimada em 2006 era de 134.282 habitantes. Pertence à Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Sabará tem origem num arraial de bandeirantes que apareceu no fim do secúlo XVII. O povoado cresceu e foi criada a freguesia em 1707, que foi elevada a vila e município em 1711, com o nome de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará. É cidade desde 1838.

O princípio da história de Sabará está ligado à descoberta de ouro na região, então conhecida como Sabarabuçu, em finais do século XVII e a presença de Borba Gato, que ali permaneceu após a morte de Fernão Dias e que veio a ser o seu primeiro guarda-mor. Predomina hoje a versão de que quando o bandeirante paulista lá chegou já encontrou uma povoação e que o núcleo urbano por ele criado foi, na verdade, Santo Antônio do Bom Retiro da Roça Grande, que está um pouco antes da entrada de Sabará, do outro lado do rio das Velhas. A origem do nome é bastante controvertida. O viajante inglês Richard Burton ouviu em 1867 que ele teria sido tomado de um velho pagé que ali viveu em tempos remotos. Outro viajante, o sábio francês Saint-Hilare, também dá uma versão pouco consistente misturando corruptelas de termos indígenas numa bela confusão. Segundo o historiador mineiro Diogo de Vasconcelos, o nome tem a ver com as particularidades geográficas da junção de um rio menor com um rio maior, como ocorre no sítio em que a cidade foi criada, onde o rio Sabará deságua no rio das Velhas. Isso é bem mais aceitável, sabedores que somos de que os índios brasileiros das mais diversas nações, sempre identificavam os acidentes geográficos compondo nomes, conforme a figuração ou idéia concreta ou abstrata que tais acidentes sugeriam.

Sabará foi elevada a categoria de vila por Antônio de Albuquerque , logo após o fim da Guerra dos Emboabas, juntamente com o Ribeirão do Carmo e Vila Rica. Como sede de comarca de uma importante região aurífera, possuía a sua odiada casa de fundição para onde deveria ser levado todo o ouro extraído na região para ser fundido em barras e devidamente taxado. A antiga comarca de Sabará era a maior de Minas Gerais, atingindo até a região de Paracatu e o Triângulo Mineiro.

No princípio do século XIX Sabará era dividida em cidade velha e cidade nova. A cidade velha era a região onde hoje ficam as igrejas de Nossa Senhora do Ó e Nossa Senhora da Conceição e a cidade nova era a região que abrange o centro histórico e a parte baixa, em direção ao rio.

Foi em Sabará que morreu um dos delatores da Incofidência Mineira, o coronel do regimento de auxiliares de Paracatu, Basílio do Brito Malheiro. Morreu amaldiçoando o Brasil e os brasileiros e temendo ser emboscado em algum beco escuro, punido pelo povo de Sabará pela sua vil delação. Daqui também saiu um dos mais implacáveis devassantes da Inconfidência, o desembargador César Manitti, ouvidor da Comarca e escrivão do tribunal que condenou os inconfidentes.

Fonte: Wikipedia

***


 
Simplemente amei essa cidade.

terça-feira, 10 de novembro de 2009


Enfim me livrei da bendita monografia. Reta final da faculdade. Muito obrigada, meu Deus.

sábado, 7 de novembro de 2009

Saiba mais sobre o espiritismo

Excelente reportagem exibida ontem no programa Mais Você, falando um pouquinho sobre a maravilhosa doutrina que o espiritismo. Vale a pena conferir.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009



Mais um feriadão se aproxima e mais uma vez terei que ficar presa em casa tentando me livrar da monografia da faculdade. Ninguém merece...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

E daí? Eu adoro voar!



Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo,


já perdi um AMOR por escondê-lo.

Já segurei nas mãos de alguém por medo,

já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.

Já expulsei pessoas que amava de minha vida,

já me arrependi por isso.

Já passei noites chorando até pegar no sono,

já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.

Já acreditei em amores perfeitos,

já descobri que eles não existem.

Já amei pessoas que me decepcionaram,

já decepcionei pessoas que me amaram.

Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou,

já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.

Já menti e me arrependi depois,

já falei a verdade e também me arrependi.

Já fingi não dar importância às pessoas que amava,

para mais tarde chorar quieta em meu canto.

Já sorri chorando lágrimas de tristeza,

já chorei de tanto rir.

Já acreditei em pessoas que não valiam a pena,

já deixei de acreditar nas que realmente valiam.

Já tive crises de riso quando não podia.

Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.

Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.

Já gritei quando deveria calar,

já calei quando deveria gritar.

Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,

outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.

Já fingi ser o que não sou para agradar uns,

já fingi ser o que não sou para desagradar outros.

Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.

Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.

Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade.

Já tive medo do escuro, hoje no escuro me acho, me agacho, fico ali.

Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer,

já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.

Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.

Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.

Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo.

Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.

Já chamei pessoas próximas de amigo e descobri que não eram.

Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.

Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.

Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!

Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual,

porque sinceramente sou diferente!

Não sei amar pela metade,

não sei viver de mentiras,

não sei voar com os pés no chão.

Sou sempre eu mesma,

mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!

Gosto dos venenos mais lentos,

das bebidas mais amargas,

das drogas mais poderosas,

das idéias mais insanas,

dos pensamentos mais complexos,

dos sentimentos mais fortes.

Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

- E daí? EU ADORO VOAR!


Clarisse Lispector